DIÁRIO DA BRUXA

Wicca, Bruxaria e Neopaganismo

domingo, 12 de dezembro de 2021

BRUXARIA: POR ONDE COMEÇAR?

 



No meu post anterior, dei uma leve pincelada geral sobre a bruxaria - explicando o que é, desmistificando alguns conceitos equivocados, diferenciando a bruxaria da Wicca, enfim, apenas um resumo bem básico a respeito desta arte fascinante.

Para quem está curioso a respeito da prática da bruxaria e gostaria de se iniciar neste mundo, mas não sabe bem por onde começar, falarei neste post um pouco a respeito do possível ponto de partida para quem deseja se tornar um bruxo. 

Obviamente, existem diversos meios de se iniciar a prática da bruxaria. Eu vou relatar brevemente os meios mais fáceis e acessíveis de se obter o conhecimento necessário para uma boa prática bruxesca, e também vou contar um pouco sobre as minhas experiências pessoais com a bruxaria. 

Preparem seus caldeirões e avante!




1) Desconstruir algumas crenças limitantes é importante

No post anterior, eu havia mencionado que mesmo pessoas religiosas poderiam ser bruxas. Embora possível, é importante relembrar que as religiões são cobertas de dogmatismos e crenças que entram em conflito direto com os caminhos e ensinamentos da bruxaria, e isso pode causar um verdadeiro abalo psicológico em algumas pessoas.

Por exemplo, imagine uma jovem de uns dezoito anos que sempre viveu sob a educação da igreja evangélica. Como boa parte da população sabe, os evangélicos são uma das vertentes mais conservadoras e fechadas do cristianismo, além de serem um dos mais ferrenhos opositores das religiões e práticas pagãs. Bruxaria, para a maioria deles, é uma arte de Satã, coisa do diabo, e não hesitam em queimar e destruir tudo o que se refere à prática da bruxaria ou de qualquer outra religião pagã. 

Interessante que as mulheres evangélicas são a esmagadora maioria das desesperadas que vem correndo atrás de trabalho de amarração, para segurar o presente de Cristo que resolveu sair de casa pra se enrabichar com a vizinha vinte anos mais nova... Mas isso é história para outros artigos. 

Voltando à jovem evangélica de dezoito anos... Um belo dia, esta jovem decidiu que não queria mais seguir a igreja evangélica. Por não gostar mais de participar dos cultos, ou por não apreciar mais as liturgias, ou - o que vejo ser mais comum - estar insatisfeita com a religião por não satisfazer seus anseios espirituais. Em algum momento, esta jovem percebeu que aquela religião já não mais a completava, não respondia suas perguntas e não se harmonizava com o que ela própria achava justo, bom e correto. Assim, ela decidiu abandonar a igreja evangélica e se enredou por outros caminhos espirituais.

Um dia, ela decidiu estudar um pouco mais a bruxaria e a Wicca, esta última uma religião pagã de ensinamentos mais livres e com adeptos de mente mais aberta. Mas, qual não foi a surpresa da jovem quando se deparou com o culto wiccano ao Deus Cornífero e à Deusa Mãe, aos rituais de culto ao Sol e à Lua, à existência de imagens dos diversos aspectos do Deus e da Deusa pagãos, e a reverência aos elementos da natureza, com tanto amor e dedicação, como se a própria natureza fosse um deus vivo. E pior, seus adeptos não acreditam em Cristo e não seguem a Bíblia! De onde os adeptos da Wicca retiram seus ensinamentos?? Como podem eles acreditar que estão certos??

A jovem de repente para por uns instantes e pondera: "Mas, eu sempre vivi acreditando em Cristo, nos ensinamentos da Bíblia, na rejeição aos falsos ídolos, e agora me deparo com um grupo onde os únicos deuses são um chifrudo que parece o diabo e uma mulher - mulher! -, não há qualquer livro ensinando suas lições, crenças e liturgias, fazem uma série de rituais e preces estranhas, e idolatram imagens! Será que vou me conseguir me adaptar a este novo estilo de vida?? Conseguirei seguir esta religião com o mesmo fervor com o qual servi a igreja evangélica durante todos estes anos? Será que não irei para o inferno??"

Esta confusão aflige muitos jovens que decidem mudar de religião - sabemos que muitas religiões fazem verdadeiras lavagens cerebrais nas pessoas, impedindo-as de enxergarem além das paredes de seus templos e igrejas, e para alguns é realmente difícil aceitar outros ensinamentos e crenças. Pior ainda quando se trata de uma pessoa de uma certa idade, que passou grande parte de sua vida sob determinados ensinamentos, e subitamente se depara com crenças totalmente opostas àquelas com as quais conviveu.

Por isso, se você decidir mudar de religião, ou permanecer nela, mas seguindo as diretrizes da bruxaria e da Wicca, é importante desapegar-se das crenças herdadas que limitam ou impedem a aceitação de outras formas de espiritualidade. Esta é, na minha opinião, a parte mais difícil para quem quer seguir a bruxaria após um longo período de permanência em uma religião muito fechada. Tudo o que a pessoa acreditava é colocada à prova, não raras vezes ela descobre quantas mentiras lhe foram ditas e ensinadas, e essa constatação nem sempre é aceita com tranquilidade. 

O importante é abrir a mente e absorver os novos ensinamentos com curiosidade e real vontade de aprender. Se, em algum momento, você descobrir que não será capaz de realizar ou aceitar tudo aquilo que aprendeu, se sentir medo ou se assustar, não haverá problema algum. Apenas tenha em mente que você não será capaz de seguir adequadamente a vida de bruxo sem compreender e tolerar tudo o que você aprender sobre esta magnífica arte. Você até pode ter um pé na religião cristã e um pé na bruxaria, mas somente se conseguir conciliar os ensinamentos de ambas as crenças, sem limitar ou anular alguma delas. Se conseguir fazer ao menos isso, será um enorme passo. 

Eu, particularmente, sempre me considerei (e ainda me considero) agnóstica. Não acredito em Deus, santos, anjos ou demônios, pelo menos não da forma como a igreja espera que eu acredite. Sou bastante cética, inclusive quanto aos próprios deuses cultuados pela Wicca - o Deus Cornífero e a Deusa Mãe. Eu acredito em energias - acredito que somos parte de um grande Todo universal, e que nossos desejos e pensamentos são capazes de se transmutar em energia, levando-a através de nossa intenção e força de vontade rumo ao universo, para que nossos anseios sejam realizados. 

E mesmo com toda essa carga de ceticismo, me encontrei maravilhosamente bem na bruxaria e na Wicca. Foi um estilo de vida que serviu como uma luva aos meus anseios por liberdade mental e espiritual. Quando eu vi a enorme libertação que a adesão à bruxaria causou a mim, nunca mais senti vontade alguma de seguir qualquer religião. Mesmo a Wicca eu sigo muito mais como um estilo de vida do que como uma prática religiosa. Apesar de eu ter imagens do Deus e da Deusa e de comemorar os Esbás e os Sabás, minhas crenças continuam em harmonia com o que eu pratico. E não tive dificuldade alguma em me adaptar, justamente em razão da ausência de uma religião anterior que pudesse me limitar. 




2) Ler é fundamental

Bruxaria não é apenas prática. Existe muita teoria nela também.

Não apenas a teoria da bruxaria em si, mas conhecer a própria história da bruxaria e do surgimento das religiões neopagãs é tão importante quanto saber praticar magia. Uma das primeiras recomendações que eu faço para quem acabou de sair de uma religião ou deseja conciliar a bruxaria com outro tipo de crença é ler sobre a história da bruxaria.

Isso porque, conhecendo a história da bruxaria e das religiões pagãs, também se conhece a trajetória dos povos que foram mortos em razão de suas crenças e convicções. Através da leitura, as pessoas descobrem o quão sofrida e injusta foi a trajetória das pessoas que perderam a vida apenas por seguir um modo de vida diferente do que o cristianismo pregava. Mulheres que foram presas, torturadas e levadas à fogueira sob a acusação de adorarem o diabo. Monstros disfarçados como padres e sacerdotes que alegavam servir a Deus, espalhando o terror e a morte por onde passavam. Pessoas que perderam a vida, a família e os bens por acusações falsas, obtidas sob tortura ou mediante vultosas recompensas, perdendo tudo em nome da ganância, da opulência e do poder. 

Com isso, espera-se que a pessoa esteja mais aberta ao entendimento e à aceitação dos novos ensinamentos que chegarão, sem realizar julgamentos precipitados baseados em ideias preconcebidas passadas por sua religião anterior. O conhecimento sempre foi e sempre será a melhor arma para combater a ignorância e o preconceito. 


"Coroi, então lavar as mãos com vinagre não evita o Corona? Arriégua..."


E, é claro, existem dezenas de livros interessantíssimos sobre Wicca e bruxaria. Mesmo para aqueles que não desejem seguir a bruxaria ou o wiccanismo, tais livros são preciosas fontes de conhecimento que permitem expandir os horizontes e aprofundar os estudos das religiões e dos estilos de vida pagãos. Eu já mencionei alguns livros no post anterior para quem quer começar os estudos da bruxaria, mas existem muitos outros títulos que irei mencionar aos poucos neste blog, à medida em que eu for me lembrando deles. Nada impede, porém, que você vá até a livraria mais próxima e procure um título que desperte seu interesse. 




3) Saiba trabalhar bem sua intenção 

Uma das coisas mais importantes para se aprender na arte da bruxaria é a intenção, isto é, a força de vontade que você utiliza na magia para ver o seu intento sendo realizado.

A magia é a força motriz da bruxaria. Através da magia, você consagra, invoca, purifica, clama, doa, recebe, oferece, energiza, vampiriza, enfraquece, cura, se comunica com as energias do universo, se conecta com o seu eu interior e com os poderes exteriores, pode ouvir mensagens em seu íntimo e manda ao universo toda a sua energia e força de vontade para que algo seja realizado, seja em seu favor pessoal ou em favor da coletividade, do mundo como um todo. 

Sem força de vontade, sem intenção, não há magia. Acender uma vela pode tanto ser um ato de acender um fósforo para incendiar o pavio de um pedaço de parafina, como pode ser um ritual complexo para invocar poderes ou energizar objetos. Acender um incenso pode não ser nada mais do que ativar um palito e espalhar fumaça cheirosa (ou não) pelo ambiente, a não ser que sua intenção o transforme em um poderoso purificador e uma oferenda aos poderes do elemento ar. Um cristal de ametista é apenas um pedaço de pedra de cor púrpura, mas com a sua intenção, pode se transformar em um canalizador de energia positiva e tranquilizadora, capaz de acalmar a mente e auxiliar no processo de meditação. 

Percebe como a intenção funciona, transformando os objetos e os rituais em algo mais do que meros objetos do uso cotidiano? Quando se usa a intenção para canalizar toda a sua força de vontade em um objeto, um ritual ou uma prece, é essa intenção que o universo receberá para satisfazer o seu intento. Por isso, um certo treinamento é necessário para expandir e canalizar essa intenção, transformando-a em um motor que conduzirá seu intento rumo à realização. 

Nos livros de bruxaria, sempre há alguns exercícios de meditação e respiração para acalmar a mente e treinar o consciente e o subconsciente, além de alguns exercícios de mentalização e visualização. Tais exercícios são extremamente importantes para a prática da magia, pois é através da mente que você transmitirá sua intenção ao universo. Você pode recitar uma série de poemas e preces, dançar todas as danças, realizar todos os gestos e utilizar todos os objetos, se não houver intenção e força de vontade em tais atos, nada vai adiantar.

Eu sempre tive bastante facilidade em canalizar minha intenção para meus rituais, mas acredito que isso se deve em razão da minha imaginação fértil. Sempre fui uma criança meio solitária, apesar de ter muitos irmãos, pois eu era esquisita e tinha preferência por coisas totalmente diferentes das minhas outras irmãs e mesmo das minhas amigas. Por isso, acabei desenvolvendo um mundo inteiro na minha cabeça, onde eu tinha amigos que brincavam comigo de tudo o que eu queria e não precisava atender a nenhum apelo familiar ou social. Eu criava livros inteiros na minha mente, livros de aventura e heroísmo, e sempre consegui visualizar as coisas com perfeição dentro da minha cabeça.

Talvez por isso eu tenha conseguido canalizar minha intenção de forma mais rápida do que eu mesma esperava. Quando se consegue criar com facilidade formas, cores e sons dentro da sua mente, fica muito mais fácil visualizar o seu intento e transmití-lo ao universo. Não consigo explicar de forma razoável como exatamente esse sistema funciona para mim, mas é como se eu materializasse mentalmente meu intento e o mandasse através de um condutor ao cosmos. Acredito que cada pessoa consegue realizar este ato de uma forma muito pessoal e única. Mas sim, saber imaginar ajuda muito. 




4) Nem tudo está relacionado ao sobrenatural...

"Geeente, uma mariposa entrou no meu quarto, o que quer dizer???"

"Migas, acendi uma vela e a cera derretida ficou assim, parece um escaravelho egípcio dançando o Tchan, não é mesmo?? O que isso quer dizer?"

"Ai, amigxs, nem tô conseguindo dormir, senti cheiro de cigarro na sala por uns três segundos e ninguém daqui de casa fuma, o que isso significa??"

"Ouçam todes, eu tomei um suco de tamarindo na casa do ex da minha prima e o copo caiu da minha mão e quebrou, quer dizer alguma coisa?? Já há algum tempo eu venho sentindo uma coisa estranha nesse ex dela, sabem, tipo ele é tão bonito, mas é tão tóxico, vivia falando mal do corpo dela, mas ele mesmo tem um corpo bem sarado, e vive me olhando de um jeito estranho, como se quisesse me comer com os olhos, ou com outra coisa... Ai, gosto nem de pensar, me dá até calor! Será que ele tem algo a ver com isso??"

A menos que você seja a minazinha do último comentário, que tá precisando mesmo de um banho de água fria pra espantar o tesão mal controlado pelo ex da prima ao invés de ficar culpando ele pelo copo que a desastrada derrubou no chão, o resto é balela das brabas.

O que tem de gente passando por situações absolutamente normais do cotidiano e tem uma neura inexplicável por tais acontecimentos, achando que são sinais do universo ou premonições, não está no gibi. 

Tenha em mente que, quando se mexe com magia, podem sim acontecer coisas inexplicáveis que podem levar a pequenos sustos ou a situações inesperadas. Barulhos que não tem explicação lógica, objetos que se movem sozinhos, energias estranhas que permeiam um ambiente, sonhos ou pesadelos com alguns indícios de premonição, intuição mais aguçada, enfim. Depende muito do tipo de energia com o qual você está mexendo e do nível da sua sensibilidade sensorial e espiritual. 

Mas, quando se chega ao nível de acreditar que qualquer inseto voador que entre em sua casa é um sinal de morte, que um simples cheiro de cigarro ou cachaça na casa é um sinal de pombagira ou Exu visitando o cômodo, que o grito de uma criança birrenta é o diabo querendo se apossar do corpo dela, que a vela derretida faz a forma de uma Vênus de Milo ou do Pernalonga e que isso tem algum significado... Aí meu amigo, é hora de apagar o baseado e ir tirar um longo cochilo. 

Evite acreditar que, só porque a magia existe, ela se manifesta em tudo o que está ao seu redor. Se o universo quiser lhe enviar um sinal, será um sinal muito claro que só você compreenderá, sem precisar de opiniões que corroborem a sua. E sobretudo, não faça essas perguntas ridículas em grupos nas redes sociais, que as chances de tirarem um sarro da sua cara são cinco vezes maiores do que a de alguém te levar a sério. 



"Ah, claro, a mocréia enche o rabo de corote, usa doce até cair as pregas, pega uns 10 sem ter uma camisinha na bolsa, mistura Epocler com chimarrão, mas sou eu quem trago a morte, né, vagaba? Sabe onde eu mando tu meter essa crendice idiota? SABE??"





5) Pratique, pratique, pratique...

Embora a teoria da magia seja muito importante, não se equipara à prática. Não fique apenas lendo, estudando e aprendendo, saiba revezar entre os estudos e a prática. Magia é para ser feita, não para ser lida.

Comece com uns rituais pequenos, que não necessitam de muitos materiais ou execuções muito elaboradas. Como eu disse no tópico 3, o ideal seria iniciar com alguns exercícios de meditação e respiração, para acalmar sua mente e aprender a pensar em "nada". Nossa mente é extremamente agitada e ansiosa, não conseguimos ficar um segundo sequer sem pensar em algo, concorda? Os exercícios de meditação e respiração ajudam a treinar nossa mente para refrear o impulso dos pensamentos e aprender a passar alguns momentos sem pensar em nada - melhor dizendo, a não deixar os pensamentos tomarem conta de nossa mente. 

Esta parte é importante para canalizar a intenção das artes mágicas e dos rituais - para evitar, por exemplo, realizar um ritual de prosperidade enquanto se pensa se o Maycon realmente foi para o baile funk. Direcionar o pensamento para uma única intenção é essencial para fazer a magia funcionar. Magia também pode não funcionar, se você não conseguir colocar nela sua intenção. 

À medida em que você for se familiarizando com a estrutura e o funcionamento dos rituais, com a maior facilidade em atingir estados alterados de consciência e pensamento, a direcionar melhor sua intenção e sua força de vontade interior, comece aos poucos a realizar rituais mais complexos - abertura e fechamento de círculo de proteção, rituais de celebração (Sabás e Esbás), invocação de servidores astrais e formas-pensamento, enfim, as possibilidades de magia são infinitas. Apenas lembre-se de se proteger adequadamente, de acordo com as instruções de cada ritual, para não atrair poderes indesejados. 

Não tenha medo de praticar. Ninguém saberia fazer magia se todos ficassem com medo, achando que não estão prontos ou que não saberão fazer do jeito certo. Não seja tão prepotente achando que conseguirá invocar Metatron logo na primeira invocação, mas também não seja tão medroso a ponto de não ter coragem sequer de fazer um pequeno ritual de proteção pessoal. Lembre-se que a magia está em todos os lugares, e a utilizamos sem perceber - pular as ondinhas do mar no Revéillon, rezar o Salmo 91, acender uma vela para o anjo do guarda, fazer uma simpatia para conquistar o ser amado, tudo isso é magia. E magia é para ser feita, realizada, usada. 

Não tenha medo de usá-la, tenha medo de não saber usá-la com sabedoria!

E pra finalizar, mais uma vez recomendo o livro com o qual eu iniciei a minha prática da bruxaria: Bruxaria Solitária, de Flávio Lopes (Editora Alfabeto). Excelente livro para iniciantes, com tudo o que você precisa saber para iniciar a vida prática na bruxaria, sem descuidar da teoria. Existem diversos outros livros, tão bons quanto, mas tenho um carinho muito especial por este. 

E no próximo post, aquela explicação rapidinha sobre os rituais mágicos!

Blessed be!






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